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sexta-feira, 10 de junho de 2011

Super Street Fighter IV: Arcade Edition - Análise




Com o lançamento da Arcade Edition em formato digital e físico (neste caso só no próximo dia 24) a Capcom deverá dar por concluído o ciclo de desenvolvimento da quarta engrenagem da série Street Fighter. A incerteza do futuro e os pedidos constantes dos fãs muitas vezes produzem alterações inesperadas após decisões publicadas como definitivas. Contudo e atendendo a que a Arcade Edition representa o terceiro avanço da quarta série, é provável que a Capcom se concentre doravante em Street Fighter X Tekken cujo lançamento está programado para o próximo ano. Um olhar atento à história da série permite descobrir que a Capcom manteve ao longo dos anos o ideal de aperfeiçoamento do seu produto, respondendo aos fãs, mas também às solicitações provenientes do mercado arcade, cuja importância recebeu alterações nos últimos anos.
Nesta quarta edição também se destaca a ligação com as arcades. SFIV começou por ser exclusivo temporário nos salões de jogos antes de chegar às consolas em Fevereiro de 2009. Depois foi a versão Super SFIV que chegou primeiro aos sistemas domésticos e só mais tarde às arcadas. Por fim a decisão de transpor a Arcade Edition das arcades para as consolas. Uma ligação cuja preponderância se ficou a dever aos mercados japonês e norte-americano, onde ainda acontecem as maiores competições e há uma grande densidade de fãs que competem entre si. Actualmente os lutadores e fervorosos adeptos da série conquistaram uma tal dimensão que a vitalidade emergente nas arcades que ainda resistem dificilmente não seria transportada para os sistemas domésticos.
Apesar de esta ser a terceira revisão da série, é a mais reduzida em alterações e tem nas quatro novas personagens o maior destaque. Há também alterações respeitantes à jogabilidade, embora imperceptíveis por representarem um balanço das personagens, matéria que não é detectada a olho nu mas que acaba melhor compreendida com doses significativas de combates ao ponto de se descobrir que algumas personagens sofreram pequenos ajustamentos em relação aos golpes causados e danos recebidos, tudo operado dentro da grelha de zonas atingíveis no corpo. Mais alterações respeitam aos canais de repetição online, nomenclaturas das salas de espera e com novos modos de visualização da progressão em "battle points".
Não se pode ignorar que a inclusão das quatro personagens vem alargar o leque de lutadores para um máximo de 39, um número recorde de personagens num só jogo da série. Com elas há também novas sequências animadas sobre as suas motivações e momentos finais, assim como novos ícones e imagens.
De resto importa salientar que esta não é uma crítica do jogo SSFIV, mas apenas do DLC, do conteúdo denominado Arcade Edition. Para todos os efeitos, a análise do SSFIV já foi elaborada aquando do lançamento do jogo no ano passado, pelo que não iremos retomar a apreciação global do jogo, mas atender somente ao conteúdo aqui disponível, entre personagens e alterações no online e no que este acrescento valoriza em relação à edição Super.
Yun e Yang são os gémeos que transitam directamente de SFIII Third Strike e cujas técnicas de combate esboçam um arco predominantemente corporal, mas o poço de maior emoção e ênfase reside em Evil Ryu e Oni. Estes dois situam-se como "boss fighters" e estão dotados de amplas transformações, imbuídos numa chama sombria (dark hadou) que lhes consome o espírito e os projecta para um novo patamar de ataque.
Começando por Evil Ryu, é notável a transformação de que a personagem que conhecíamos foi alvo. Há traços característicos que foram mantidos (afinal é o Ryu que ainda ali está, mas totalmente rendido ao Hadou, o mal que acabou por crescer até lhe consumir o espírito), assim como a maioria dos golpes, mas os novos acrescentos implicam uma alteração muito significativa no estilo de combate. É um erro, porém, pensar-se que tanto Evil Ryu como Oni serão demasiado fortes ou imbatíveis. Ambos têm uma propensão para o ataque, sobretudo pela forma como se podem encadear novas combinações, mas são lutadores com reduzida resistência e que também enfrentam algumas dificuldades, pelo que é fundamental não descurar a vertente defensiva pois coisa não são imbatíveis.
Em termos artísticos a transformação para Evil Ryu é fantástica. Recorde-se que o que está por detrás da motivação desta personagem é um interesse em ganhar a todo o custo, nem que tenha de matar os adversários. Chamas de Dark Hadou irradiam do seu corpo, os olhos ardem e toda uma fúria é despoletada em cada golpe. No peito há um núcleo vulcânico, onde cintila o dark hadou. Em termos visuais é evidente a aproximação a Akuma - todo um instinto matador - o golpe super é o "raging demon" e ainda pode atirar "red fireballs" ao adversário, outra cópia dos ataques de Akuma. Através do Hop Kick e Axe Kick (a maior novidade em pontapés) Evil Ryu consegue uma grande aproximação ao adversário e é possível partir para uma série de combinações culminando com o ultra. De resto apresenta uma boa capacidade para manter o adversário à distância, atacando-o usando as "fireballs", punindo com "shoriukens" os ataques aéreos e servindo-se até do "telleport" para evitar ataques.
Os golpes ultra de Evil Ryu podem ser activados com relativa facilidade, na sequência de golpes normais. A conhecida "fireball" (cuja representação está mais sombria) pode ser utilizada em diversas situações, embora o dano completo não seja muito elevado. Já o segundo ultra funciona melhor como um anti-aérea e também pode ser aplicado como golpe final depois de um "shoriuken" ou "EX hurricane kick". De um modo geral Evil Ryu partilha muitos pontos em comum com Akuma e Ryu, embora o Axe Kick seja um golpe original e com base nele poderão partir para uma ampla série de combinações.
Oni será porventura mais fascinante que Evil Ryu, quer do ponto de vista de representação – um autêntico demónio à solta - , como também é uma mala de ferramentas à disposição do jogador, podendo operar diferentes estratégias. O aspecto é colossal. Impressiona ver Oni. Permanecem as ligações a Akuma, mas é mais rápido e levado ao limite torna-se devastador. O seu ponto mais fraco será a pouca resistência, pelo que um jogador que descuide a defesa pode acabar punido, deixando escapar o combate.
Contudo, a habilidade para desenvolver diversas combinações e estilos é talvez o factor que torna Oni uma das personagens mais apetecíveis, mas não é para qualquer um extrair o melhor de Oni. As fireballs permitem-lhe manter o adversário relativamente distante, podendo punir ataques aéreos ou tentativas de chegar perto agarrando-o como pode partir do Demon Palm para adequar uma série de investidas concluídas com poderosos golpes "ultra".
Depois das colossais bestas Evil Ryu e Oni, Yang e Yun completam as restantes vagas e cumprem uma importante transição de SF III, acrescentando estilos algo similares de combates, com boa capacidade para fazer "reversals", "backdash" e com óptima capacidade de aproximação ao adversário para aplicar uns bons "pokes". São dois lutadores com forte tradição na "fighting scene" japonesa (e em boa medida nos EUA) e como a Arcade Edition teve a sua origem nas arcades japonesas compreende-se a inscrição destes dois lutadores. Não os menosprezem pela aparência mais descontraída, espadaúda e de bom humor. Bem desenhados e altamente revigorados para esta edição podem suplantar com ligeireza as bestas alinhadas para os combates derradeiros.
Yun é nesta altura um dos "mains" de Daigo Umehara, factor que lhe tem acrescentado alguma popularidade suplementar e que por isso é mais um incentivo para muitos. Mas não é por acaso que Daigo Umehara escolhe Yun como favorito. Esta personagem é uma das mais fortes, sendo que bem trabalhada por um jogador com boa capacidade ofensiva, pode sair vitoriosa em qualquer combate.
Um dos seus maiores atributos é a capacidade de fazer grande pressão sobre o adversário e extrair combinações que em pouco tempo retiram uma quantidade impressionante de vida ao adversário. Os "dive kicks" são uma dor de cabeça, um enxame de abelhas complicado de punir, com bons "pokes" e boa capacidade de aproximação, aumentando o contador do super para aplicar o conhecido Genei Jin, muito punitivo. Esta ligação com os golpes especiais torna Yun numa personagem única e bastante apelativa deste quarteto.
Contudo, sente mais dificuldade para defender, pelo que é uma personagem que apesar de render bem nas mãos de um lutador ofensivo, rapidamente pode ter a tarefa complicada se o adversário for capaz de evitar a sua teia (especialmente o dive kick, que exige uma resposta imediata) e reverter o andamento do combate.
Yang é igualmente um lutador de vocação ofensiva, cujo factor diferenciador pode ser encontrado na boa capacidade de ligação dos golpes normais com os especiais e para qualquer um dos "ultra". Tal como Yun, move-se bem no cenário o que lhe confere uma boa adaptação ao jogo aéreo, podendo extrair algumas interessantes combinações. Através do "Palm Strike" e "Dragon kick", Yang consegue lidar bem com adversários que enviem projécteis. As suas maiores dificuldades residem desde logo na necessidade de bastantes combinações para infligir mais dano no oponente e por ter de ocupar bem os espaços para conseguir chegar perto dele, o que pode ser uma árdua tarefa contra adversários que sejam capazes de fazer uma boa cobertura defensiva.
Para lá dos quatro novos lutadores a Capcom incluiu ainda mais algumas transformações e melhorias no capítulo dos canais de repetição. Agora é possível seguir um canal dedicado aos lutadores de elite, os melhores do mundo, podendo acompanhar de perto como estes lutam, que técnicas desenvolvem e como competem com as novas personagens. Uma outra função prevê a possibilidade de efectuar uma espécie de subscrição de um lutador para acompanhar as suas repetições. No que respeita às salas para "endless match" os jogadores podem agora atribuir um nome para melhor identificar o tipo de lutadores que nela participam. Podem também determinar se nela participam jogadores de todas as versões ou apenas com aqueles que detenham a arcade edition.
A Capcom já disponibilizou um conteúdo descarregável gratuito para os jogadores possuidores da versão SSFIV que acrescenta o balanço concebido para a arcade edition assim como os canais de repetição online. O conteúdo da Arcade Edition custa 1200 Microsoft Points (cerca de 15 euros) e tem como maior destaque a adição de quatro novos lutadores. Não há novos cenários nem novos esquemas de combate. Em suma, esta é uma revisão que tem nas entradas de Evil Ryu, Oni, Yang e Yun o foco principal. Isto implica pouco mais de três euros por cada lutador. Se são adeptos da série e já possuem a versão Super então devem apostar no conteúdo. Estas personagens reacendem o interesse pelo jogo, pelos atractivos das novas combinações e da forma como combatem. Se ainda não compraram a versão Super ou não têm o original aguardem pelo dia 24 de Junho para comprar o suporte físico da Arcade Edition (SSFIV) cujo preço final deverá situar-se perto dos 25 euros. O Xbox Live disponibiliza ainda a opção SSFIV + Arcade Edition pelo valor de 2500 MP, que é uma outra opção que vos deixará na posse do melhor "fighting game" da geração e um dos melhores de sempre.

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