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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

The War of the Worlds adapta clássico da ficção científica com estilo

Qual não foi minha surpresa ao saber que o estúdio Other Ocean faria uma releitura de The War of the Worlds, de H.G. Wells? O Game se inspiração no livro de 1898, que foi a fonte de uma das maiores pegadinhas da história da mídia (no caso, Orson Welles narrou a radionovela em 1938 e as pessoas entraram em pânico, acreditando em uma invasão de seres do espaço sideral).
Em 2010, em outro caso de adaptação, muitos criticaram quando souberam que “A Divina Comédia”, clássico da literatura mundial, virou um jogo de matança nas mãos da Electronic Arts. Pois é: Dante’s Inferno rendeu todo tipo de piadinha (“qual é a próxima? Transformarem ‘Moby Dick’ em um jogo de tiro em primeira pessoa?”). Particularmente, acho abordagem da obra como um sub-God of War foi o pivô da discórdia, mas isso não quer dizer que livros não podem inspirar jogos.
A trama de The War of the Worlds é apresentada de um ponto de vista um tanto diferente do visto no filme de 1953. Ao retornar para Londres no final do século XIX, o protagonista a vê devastada pela chegada de invasores espaciais hostis. Seguindo a escolinha de Out of This World, Flashback e Prince of Persia, temos uma boa combinação de ação, plataforma e furtividade - afinal, Arthur não é um fuzileiro espacial, e sim um sujeito normal...

Fãs da obra original, seja lá em qual versão for, reconhecerão seus elementos clássicos, como os enormes veículos de três pernas - com aqueles raios de calor que pulverizam quem tiver a falta de sorte de estar em seu caminho e os tentáculos que puxam os humanos para a morte. Entre correr, pular e se esconder, o jogador é posto em momentos de grande tensão, em busca de sua família na capital inglesa.
A apresentação visual joga com luz e sombra de forma interessante e lembra um pouco Limbo, mesmo que de forma mais branda. O clima de destruição impressiona, seja pela combinação das silhuetas de personagens secundários, seja pelo uso esperto da profundidade - o gigantesco trípode à distância, sombras de policiais correndo em primeiro plano, e por aí vai. A trilha incidental é boa e a narração é feita por ninguém menos do que Sir Patrick Stewart. Preciso dizer mais?
Como o jogo envolve sobreviver aos obstáculos e inimigos - fios elétricos desencapados, casas em chamas invadidas por aranhas robóticas, quedas de grandes elevações - é praticamente impossível vencer o jogo na primeira tentativa sem morrer (o que, inclusive, vale um Achievement), mas admito que certas partes são tão difíceis de passar que nem mesmo ouvir o Picard / Xavier declamando a passagem de texto destas sequências tornou a experiência menos tensa, como na primeira aparição dos trípodes.

Conclusão
A mais recente adaptação de The War of the Worlds para videogames tira o chapéu para clássicos de ação e plataforma, trocando os tiros e o combate direto, pela agilidade, exploração e furtividade. Fãs de todas as épocas do clássico de H.G. Wells têm aqui um representante digno da obra - e ainda terão o prazer de ouvir Sir Patrick Stewart narrando os fatos. Mas atenção: se você é daqueles jogadores que não gostam do clima de tentativa e erro, vale pensar duas vezes antes de começar. Não entre em pânico!

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